segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Sorte Grande para quem é do Norte... Será?

A 1ª volta da Liga Sagres 2008/2009 é marcada por algo curioso. Dos 8 jogos que o Benfica disputa fora nesta 1ª volta, 6 deles são disputados no Norte do país... Senão vejamos:

1ª jornada - Rio Ave vs Benfica - Vila do Conde
3ª jornada - Paços vs Benfica - Paços de Ferreira
5ª jornada - Leixões vs Benfica - Matosinhos
7ª jornada - Vitória de Guimarães vs Benfica - Guimarães
9ª jornada - Académica vs Benfica - Coimbra
13ª jornada - Trofense vs Benfica - Trofa

As únicas excepções da 1ª volta do nosso Benfica são à 11ª jornada (na Madeira) e na 15ª e última jornada da primeira metade (no campo do Belenenses)...

Até aqui tudo parece ser um mar de rosas para nós, adeptos do Norte. Mas então por que razão é que faço aquela interrogação no título? Pois bem, passo a explicar... Até agora, já foram disputados dois destes 6 jogos a Norte de Portugal. Em Vila do Conde, os preços dos bilhetes para os adeptos do "Glorioso" variaram entre os 30€ e os 60€ (!!!). Em Paços de Ferreira não nos vieram tanto ao bolso, mas mesmo assim os preços foram dos 20€ aos 30€...
A manter este ritmo, os adeptos do Benfica que não queiram perder um único jogo da equipa acima do Mondego, correm o risco de chegar ao Natal sem dinheiro para dar prendas à família.

Está na hora dos clubes pequenos deixarem de vir ao bolso dos benfiquistas e de deixarem de pensar em sobreviver à custa da receita de bilheteira no jogo contra o Benfica. Ou será que os presidentes pequenos (e pelos vistos pequenos, também, mentalmente) ainda não perceberam que com bilhetes mais baratos fazem tanta ou mais receita e podem-se gabar de ter "casa cheia"? É algo de que não se podem gabar muito mais vezes durante toda a época (se é que isso alguma vez acontece)...

PS- Se o Leixões, na semana passada pôs bilhetes entre os 30€ e os 60€ para o jogo frente ao Braga, o que acham que podemos esperar esta semana?? Até tenho medo do que aí vem...

domingo, 28 de setembro de 2008

Dia de Reyes - Especial Benfica vs Sporting

Segundo jogo do Benfica na Luz para a Liga Sagres 2008/09, segundo clássico, primeira vitória caseira!
Se com o Porto ficou a ideia de que, com 11, o Benfica poderia ter perseguido a vitória depois do golo de Cardozo, hoje o Benfica confirmou que está a crescer e que o entrosamento pode ser a chave para que esta equipa dê as alegrias que os adeptos querem ver.

Sessenta mil adeptos na Luz para ver o clássico com mais história do futebol português. Para mim, benfiquista nortenho,não tão apelativo como um Benfica vs Porto... Para os adeptos de sul, o jogo pelo qual esperam todo o ano.

À entrada no relvado da Luz, era o Sporting quem trazia algum favoritismo. Primeiros na Liga, ainda sem perder pontos. Confiança em alta para os lados de Alvalade, a juntar à tremideira do início de campeonato do Benfica. Dois empates, seguidos de uma vitória em Paços, que esteve perto de não o ser. Insegurança defensiva do Benfica, com 5 golos sofridos em 3 jogos, todos de bola parada. A juntar a tudo isto e às baixas que a equipa tem enfrentado por lesões, Quique resolveu entrar na Luz sem alterar o 11 que tinha começado o jogo na Mata Real... Jorge Ribeiro, Ruben Amorim, Miguel Vitor e Nuno Gomes continuavam na equipa titular. Leo, Katso, Aimar e Di Maria continuavam no banco. Surpresa para quase todos (senão mesmo para todos) e desconfiança de muitos, por verem os nomes mais sonantes ficarem sentados no banco.

Mas hoje, na Luz, às 20.45h, a mesma de equipa de Paços não tremeu. Apareceu de peito aberto para um leão de garras encolhidas... E a águia circundou o leão durante 67 minutos, para depois, em voo picado, dar duas bicadas mortíferas, que resolveram o jogo.

Entrou melhor o Sporting e ainda antes de ultrapassado o primeiro minuto de jogo, já Yannick Djaló podia ter inaugurado o marcador, mas a tentativa de chapéu do avançado leonino saiu um pouco acima da barra. Na resposta, foi Cardozo a assustar Rui Patrício, com um remate de muito longe, que por pouco não surpreendia o guarda-redes do Sporting.
Estava dado o mote e, se fosse sempre assim, iamos ter um grande jogo de parada e resposta. Mas foi fogo de vista... A primeira parte foi o parente pobre do jogo, com ambas as equipas a mostrarem muito respeito pelo adversário. Ainda assim, foi quase sempre o Benfica quem teve o comando do jogo. O meio-campo foi quase sempre controlado por um Yebda imperial, que sendo alto e parecendo lento, tem-se mostrado um jogador rápido e com bons pés. Apesar de, por vezes, recorrer à falta sem necessidade, ganha muitas bolas no meio-campo na luta corpo a corpo e mostra inteligência a jogar. Com o Benfica a mandar no meio-campo e a ter mais bola, o Sporting lá ia tentando a sorte, quase sempre através de bolas chutadas para a frente, em busca de Postiga ou Yannick. Mas a estratégia do Sporting não se pode considerar que tenha sido a melhor, com os leões a serem apanhados em fora de jogo por 6 vezes, nos primeiros 45minutos.
Talvez o Sporting estivesse a tentar explorar a maior imaturidade de Sidnei e Miguel Vitor, mas a dupla de centrais do Benfica, ambos com apenas 19 anos, esteve sempre à altura dos acontecimentos, com Sidnei a revelar-se um patrão (no futuro espero ver a dupla Sidnei/David Luiz como dupla de centrais titulares do SLB).
À passagem do minuto 18 surgiu o maior abanão na aparente monotonia da 1ª parte. Maxi Pereira (mais uma grande exibição) combinou com Ruben Amorim e apareceu na linha de fundo a cruzar com muita força para a àrea, em busca de um desvio para golo. O centro do uruguaio fez lembrar os centros/remate de Erwin Sanchéz que, de cruzar com tanta força, às vezes fazia com que fossem os defesas a meter a bola na baliza. Desta vez, a bola chegou mesmo ao avançado, mas Nuno Gomes, em esforço, não conseguiu desviar o esférico para dentro da baliza de Rui Patrício, que respirou de alívio, ao ver o remate sair por cima da barra.
Estava dado o primeiro e único grande aviso da primeira parte que, até final, ficou apenas marcada por um livre a favor do Benfica, já em tempo de descontos, em que ficou por assinalar um penalty sobre Yebda, que foi claramente puxado no interior da área do Sporting. Duarte Gomes fez vista grossa e até marcou falta contra o Benfica, mas se à vista desarmada já tinha ideia de que era penalty, nas repetições tirei todas as dúvidas... e, desta vez, até Jorge Coroado (esse lagarto) admitiu que tinha havido falta.

No início da 2ª parte Quique fez uma alteração e, logo aí, começou a ganhar o jogo. Ruben Amorim saiu e deu lugar a Katsouranis. Katso e Yebda, juntos no miolo, raramente perderam o rumo da bola para Miguel Veloso e Moutinho, que andaram como que perdidos na teia encarnada, principalmente o modelo, que deve ter desejado teletransportar-se do relvado da Luz para a passerelle do Portugal Fashion (a decorrer à mesma hora), tal era a acumulação de erros que ia fazendo em campo.
Carlos Martins descaiu para a direita e o Benfica ganhou, também aí, mais preponderância, visto que Carlos Martins deu mais profundidade à ala do que Ruben Amorim e permitiu que o Benfica confundisse o Sporting, atacando pelos dois flancos, algo que na 1ª parte raramente tinha acontecido.
E se na 1ª parte o Sporting parecia só querer atacar através das longas bolas em profundidade para os dois avançados solitários... no segundo tempo parece que os homens de Alvalade se esqueceram mesmo de atacar, tendo ficado muito tempo encostados às cordas, arriscando-se a sofrer um golo.
E foi mesmo isso que aconteceu. Numa altura de insistência do ataque do Benfica pela esquerda, aos 67minutos, na sequência de um lançamento, Reyes passa a bola para o interior da área, para Aimar. E na altura em que 3 jogadores do Sporting já se dirigiam para o argentino, para o impedir de rodopiar e rematar, eis que o nº10 devolve a bola a Reyes que, liberto de marcação, mas de ângulo muito complicado, faz um remate portentoso, uma trivela de pé esquerdo, que fez a bola anichar-se no lado mais longínquo da baliza de Rui Patricio, que bem se esticou, mas não tinha qualquer hipótese de travar o grande remate do espanhol.E ainda o Sporting se tentava recompor daquele primeiro golo e já o Benfica tinha aumentado para 2-0. Foi aos 72' que Carlos Martins aproveitou uma falta de Miguel Veloso a proporcionar um "canto curto" ao Benfica, para colocar um centro com conta, peso e medida para o 2º poste, onde apareciam Cardozo e Sidnei em posição de fazer o golo. Sidnei foi mais expedito e fez um grande remate de cabeça, bastante forte, a colocar a bola no ângulo superior da baliza, sem qualquer hipótese de defesa, mais uma vez.
Depois do golo o Benfica soube gerir o jogo, sem nunca recuar demasiado, sob a batuta de um Pablo Aimar a jogar bem mais próximo da sua posição natural e, em virtude disso, a render muito mais do que até aqui. Nesta fase do jogo, o Sporting, já com Derlei e Liedson em campo, tentava furar a defesa do Benfica, mas perdia a bola demasiadas vezes e incorria muito em faltas desnecessárias, que só prejudicaram os homens de Alvalade.
O único lance de verdadeiro perigo até final foi protagonizado por Djaló, já aos 90', que rematou para uma boa defesa de Quim, a garantir a inviolabilidade das redes do Benfica pela primeira vez em jogos oficiais esta época. Depois de 4 jogos sempre a sofrer e com a defesa a revelar debilidades, principalmente nas bolas paradas, e com o próprio Quim a não ficar isento de culpas, hoje, na Luz, a equipa deu uma resposta positiva e venceu o Sporting por 2-0.

A vitória do Benfica não deixou margem para dúvidas e o próprio Paulo Bento considerou essa mesma vitória "incontestável".
A equipa de arbitragem poderia ter tido um jogo calmo se tivesse seguido os critérios estipulados. Num jogo sem muitos protestos, em que os jogadores nem dificultaram a vida a Duarte Gomes, o árbitro deixou por marcar um penalty sobre Yebda, em cima do intervalo e esteve muito mal no critério dos cartões amarelos. Mostrou apenas 3 no jogo todo (2 ao Sporting e 1 ao Benfica), todos nos últimos 15minutos... e apenas começou a mostrar amarelos após uma série de entradas de jogadores do Sporting que se esqueciam da bola para ir claramente ao homem. Nota 2 para o árbitro.

Vamos agora aos destaques da equipa do Benfica:

Quim - De volta às exibições seguras, Quim saiu sempre bem aos cruzamentos do Sporting e perto do fim ainda garantiu o nulo na baliza do Benfica com uma boa defesa;
Maxi - O lateral direito do Benfica está um senhor nesta posição. O espírito lutador sempr lhe foi reconhecido, mas agora junta-lhe uma boa capacidade de antecipação e a capacidade de subir e ajudar na construção do ataque;
Miguel Vitor - Teste de fogo para o central da nossa cantera. Não deu tanto nas vistas como Sidnei, mas também não se pedia tanto. Cumpriu e nunca comprometeu. Parabéns!
Sidnei - Quando o Benfica deu tanto dinheiro por metade do passe dum central brasileiro de 19 anos, confesso que torci o nariz. Depois de ver este "miúdo" jogar, começo a perceber. Para além do golo, fez alguns cortes fulcrais na zona defensiva;
Jorge Ribeiro - Sou adepto do Leo, mas o lateral esquerdo dos últimos 2 jogos tem cumprido a sua missão e até ultrapassado a expectativas que depositei nele. É bom ver Jorge Ribeiro mostrar que há soluções!
Yebda - Grande jogo do médio defensivo francês. Bom a cortar o jogo adversário, importanto na construção da primeira vaga de ataque do Benfica. Até ao momento, a melhor contratação da época;
Ruben Amorim - Voluntarioso, mas demasiado apagado. Ruben nunca conseguiu dar a profundidade que se pede para uma ala direita e foi mais médio interior/defensivo do que um ala. Percebe-se porque foi substituído ao intervalo;
Carlos Martins - Vontade e raça já são palavras que descrevem o médio, mas ao jogar contra o Sporting, Carlos Martins multiplicou isso por 10 e jogou ainda com mais vontade. Lesionou-se perto do fim e é duvida para os próximos tempos;
Reyes - Veio rotulado de craque. Depois de 2 jogos em que ainda estava muito abaixo da forma e do que se esperava dele, o espanhol apareceu agora bem melhor. Se em Paços (onde o vi ao vivo) deixou boas indicações e nunca se escondeu, procurando sempre espaço para receber a bola, hoje manteve a toada e foi um dos homens mais activos no jogo. Marcou um golaço e saiu ovacionado de pé pelos 60mil adeptos do Benfica na Luz;
Nuno Gomes - Novamente a titular, contra as previsões que davam o lugar a Aimar, Nuno Gomes justificou a aposta e foi o melhor dos avançados do Benfica. Soube vir buscar a bola fora e se houvesse jogadores mais rápidos no ataque do Benfica, o entendimento podia ter sido ainda melhor. Compreende-se que tenha saído ele e não Cardozo... É preciso poupar o Nuno para a recepção ao Nápoles, é o único disponível...
Cardozo - Muito esforço, mas poucos resultados. Cardozo foi a todas, ninguém o pode acusar de falta de empenhamento, mas as coisas ainda não estão a sair muito bem ao avançado paraguaio, que ainda anda á procura do melhor caminho para os golos. Que o descubra depressa, o Benfica só tem a ganhar com isso;

Katsouranis - Não brilhou, não deu nas vistas, mas deu uma consistência gigantesca ao meio campo do Benfica na 2ª parte. Juntamente com Yebda e FINALMENTE na sua posição, o grego formou uma óptima dupla. A experimentar novamente em próximos jogos. Acredito que dá frutos;
Aimar - Entrou e pouco depois fez a assistência para o golo de Reyes. Pela primeira vez desde que está no Benfica, foi um prazer ver o Aimar a jogar. Jogou mais recuado, como verdadeiro nº 10 e soube ser o cérebro que se pedia que fosse. Com o Benfica a vencer souber marcar ritmos e segurar o jogo, tendo ainda lançado alguns contra-ataques. Nota muito positiva e esperemos que repita nos próximos jogos;
Di Maria - Entrou já com o resultado feito e mostrou alguns pormenores enquanto esteve em campo. Parece-me bem que Quiquer faça esta gestão de esforço de Di Maria, que já não sabe o que são férias há duas épocas. No entanto, era bom que recuperasse depressa, para o Benfica poder começar a jogar com dois alas de raíz.

Com este resultado o Benfica soma agora 8 pontos, em 12 possíveis e está, provisoriamente, no 3º lugar, em igualdade com o Porto, e a 1 ponto dos líderes Nacional da Madeira (menos 1 jogo) e Sporting. No entanto, temos que ter em conta que o Benfica já disputou os dois clássicos da primeira volta, podendo agora estar no sofá a ver o que sai do Sporting vs Porto da próxima semana.

5ª feira é um dia importantíssimo para as aspirações do Benfica na Taça UEFA. Apenas a vitória interessa para conseguirmos um lugar na fase de grupos da UEFA e para isso é preciso encher o estádio, puxar pela equipa e esperar que a exibição seja igual ou melhor que hoje, sabendo que podemos contar com o regresso de algumas peças importantes, como Luisão no centro da defesa. Só a vitória interessa e é em busca dela que vamos... Está tudo nas nossas mãos... Não é assim tão difícil vencer o Nápoles!! FORÇA BENFICA!!!