quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Sofrimento desnecessário...

Tal como vinha acontecendo ao longo de toda a época, o Benfica não conseguiu marcar na primeira parte, apesar de apresentar muito maior pendor ofensivo do que o adversário. Ante um Paços de Ferreira apostado num 4-5-1 (que se transformava em 4-3-3 em posse) cuja linha defensiva apertava a intermédia mercê de uma linha bem avançada, os “encarnados” revelaram sempre algumas dificuldades no último passe, pois, invariavelmente, os seus atacantes eram colocados em fora de jogo.

Apesar do intenso domínio, da excelência revelada no capítulo do passe, especialmente na zona de construção, o Benfica teimou, ao longo de toda a primeira parte, em não surgir em posição de concretização em jogadas decorridas em lances de bola corrida, pelo que acabou por ser de bola parada – um dos pontos fortes deste Benfica – que quase se colocou em vantagem. Corria o minuto 11 quando Carlos Martins colocou, na transformação de um livre em zona lateral, a bola na cabeça de Luisão que, sozinho, atirou à barra. Na recarga, foi Aimar, também de cabeça, a criar grande perigo, mas surgiu Cássio que, com uma grande defesa, negou um golo que parecia certo.

O Benfica, desta feita com David Luiz na direita e Jorge Ribeiro à esquerda da defesa, tinha, por intermédio de Carlos Martins (que, a par do ex-boavisteiro, atingiu o centésimo jogo na Liga), muita posse de bola e qualidade de passe, mas raramente o regressado Cardozo (apoiado directamente por Aimar) tinha espaço para rematar. De destacar a qualidade defensiva apresentada pelo quarteto defensivo pacense que, com Dedé na sua frente, parecia uma muralha intransponível.

Já no ataque, o Paços foi inexistente durante a primeira hora de jogo, sendo que a saída de Cristiano (cinco golos na Liga), por lesão, em nada ajudou aos seus planos. Excepção, só mesmo quando Tatu (substituíra Cristiano), no início da segunda parte, se isolou e, após fintar Moreira, atirou para
a baliza, sendo David Luiz o salvador de serviço.

Quique é que não gostou do lance e decidiu mexer e inovar, lançando Di María no flanco direito e dando a oportunidade a Rúben Amorim de actuar na sua posição de raiz, ou seja, no centro do meio campo. E
foi importante a acção do antigo jogador do Belenenses na forma como ajudou o Benfica a atacar com maior fluidez o que proporcionou mais bola junto dos atacantes. Disso beneficiou Cardozo que, aos 69’, aproveitou uma intercepção falhada de Cássio e atirou, tranquilamente, a contar.

Brilhou o paraguaio logo depois, quando, após fintar dois adversários, deixou para Amorim que, em jeito, colocou a bola no ângulo superior oposto. Um fabuloso golo do médio benfiquista
que, assim, parecia matar o jogo.

Algo que não acontec
eu, pois Ferreira, após jogada de qualidade de Rui Miguel, atirou cruzado para o 2-1. A Luz nem teve tempo de sofrer pois Di María, pouco depois, aproveitou uma bola a saltitar à sua frente para, de bandeira, a 35 metros da baliza, atirar para um golaço. Só que o Paços, em cima do minuto 90, ainda reduziu (Chico Silva, surgindo nas costas de David Luiz) e atirou mesmo uma bola ao poste (Kelly). Um sofrimento final muito desnecessário, pois o Benfica controlou completamente uma partida em que marcou três golos e venceu pela margem mínima. Um final digno de suceder ao jogo da primeira volta que, recorde-se, o Benfica vencera por 3-4. Grande jogo e três pontos para o Benfica. A liderança continua ali à espreita...


Força Benfica!!!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Yeb(dá) e Proença tira!

Ao apontar, a dois metros do lance, um inexistente penálti contra o Benfica, Pedro Proença acabou por ter influência directa no resultado em pleno Estádio do Dragão, castrando todo o futebol de qualidade que a equipa orientada por Quique Flores apresentou no anfiteatro do rival. E, assim, um 0-1 que ameaçava tornar-se em 0-2, a favor do Benfica, virou 1-1, qual filme de terror. De bom... sobra, sem dúvida, a melhor exibição que, em muito tempo, o Benfica produziu no Porto.

Uma primeira parte como mandam os manuais. Com o esperado
4-4-2 promovendo o regresso de Suazo, o Benfica apresentou-se muito concentrado na zona de meio-campo, limitando ao máximo as acções de construção de jogo de Lucho e Meireles, sendo só pelas alas que os portistas conseguiram criar algum perigo, mercê de centros que nem sempre os centrais benfiquistas conseguiram desfazer. Assim, o único lance de perigo do FC Porto nasceu na cabeça de Lucho, que atirou por cima, corria o minuto nove.
Só que, apesar de tal excepção, o Benfica foi mais forte, apostando num futebol apoiado (ao contrário dos donos do terreno que, talvez por causa da fome de golos caseiros adjacente aos dois últimos jogos no Dragão, só conseguiram actuar em contra-ataque) e que fez mossa na zona defensiva contrária. Além de actuar como um bloco, o Benfica teve em Aimar um vagabundo de ouro, dando o argentino razão às palavras de Jorge Valdano, quando este referiu, esta semana, que o "dez" retira a imperfeição ao futebol.

Apoiado por Reyes, Aimar foi um maestro por excelência. Foi mesmo ele a servir o espanhol, aos 12', num centro largo a que o "seis" não deu bom rumo, cabeceando ao lado. E foi mesmo Reyes que, após passe de Suazo (em mais uma jogada iniciada por Aimar) atirou forte para grande defesa de Helton. Mas foi Reyes quem, à beira do intervalo, serviu Yebda, através de um canto, para o cabeceamento que fez justiça no marcador.

Continuidade de grande exibição na segunda parte. Apesar de menos eficaz no capítulo do passe, o Benfica foi sempre mais forte, parecendo poder chegar ao 0-2 a qualquer momento. Aliás, Suazo, em cabeceamento ao lado (a responder a livre de Reyes), desperdiçou nova oportunidade de ouro, ten
do Amorim, aos 57', atirado para mais uma boa defesa do brasileiro Helton para o lado na sequência da melhor jogada do encontro.

Assim, quando se esperava o segundo golo do Benfica, o senhor Pedro Proença deu sequência à má exibição e assinalou uma inexistente falta de Yebda sobre Lisandro (que se atirou para a piscina) no bico da àrea encarnada. E, assim, Lucho tratou de empatar uma partida que, desde esse minuto (70') até final, foi sempre dominada pelo Benfica.

Resumindo, foi um jogo, no geral, equilibrado mas controlado pelo Benfica, que defendeu bem e saía em contra-ataques perigosos, criando bem mais perigo que o P
orto durante a partida. Os azuis e brancos só conseguiram jogar pelas alas, com cruzamentos que poucas vezes criaram perigo. Principalmente depois do golo, o Benfica controlou por completo a partida, deu um domínio territorial consentido ao Porto e saía bem e rápido no contra-ataque, e foi mesmo na melhor fase do Glorioso que o árbitro resolveu inventar aquela grande penalidade. Acontece... ou não!

Destaques no Benfica: Sidnei, dos melhores em campo, que central fantástico; Aimar, o homem do jogo, pautou o jogo do Benfica e controlou o ritmo do jogo, o melhor jogo de águia ao peito; Yebda, marcou o golo e esteve sempre bem no meio campo, com uma raça incrível, está no golo do Porto mas a culpa é apenas do Pedro Proença; Ruben Amorim, simplesmente não sabe jogar mal...


FORÇA BENFICA!!!

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Na final...

Três anos depois o Benfica vai jogar uma final de uma competição oficial, depois de bater o V. Guimarães por 2-1 nas "meias" da Taça da Liga. Um dérbi (ante o Sporting), pois, para fechar com chave de ouro uma competição na qual, até ver, os pupilos de Quique Flores (que atinge a sua primeira final enquanto treinador) só somaram vitórias. Que melhor tónico a poucos dias do clássico do Dragão.

As equipas abordaram, desde cedo, a partida de forma positiva, tentando salvaguardar os aspectos defensivos, mas procurando sempre posicionar-se no ataque com diversos elementos. Mais o Benfica, claro, pois tinha a responsabilidade de, enquanto favorito, deter maior domínio da posse de bola. Com uma equipa muito próxima daquela que tem sido habitualmente titular (só Maxi Pereira teve direito a descanso), o Benfica revelou determinação defensiva e simplicidade de processos a nível ofensivo, o que acabou por, aos poucos, ir relegando para segundo plano as investidas de Nuno Assis, Fajardo e Desmarets (fornecedores de jogo do adaptado Marquinho).

Com Reyes activo na esquerda e Carlos Martins a revelar a natural tendência d
e comandar as operações a meio campo, apenas ao muito azar registado por Cardozo na hora do tiro se deveu o nulo ao intervalo. O paraguaio acertou na barra, aos 23', num cabeceamento executado após livre lateral apontado por Reyes, tendo, pouco depois, rematado de longe para aparatosa defesa de Serginho. Ainda antes do intervalo, Cardozo desperdiçou a sua melhor ocasião, quando desaproveitou um mau alívio defensivo do Vitória e, na pequena área, estoirou por cima da barra.

Não tão brilhante a segunda parte do Benfica que, durante muito tempo, revelou dificuldades em criar situações de golo. Já o V. Guimarães, mercê da mobilidade e qualidade de passe de Marquin
ho, Nuno Assis, Desmarets e Fajardo, conseguiu criar a ilusão de controlar a partida em diversos momentos na segunda parte, ainda que o Benfica se apresentasse sempre muito concentrado em termos defensivos e aproveitasse tal posicionamento vimaranense para partir em contra-ataque.

De forma a potenciar a ideia de um Benfica mais móvel e rápido, Quique Flores trocou Cardozo por Di María, mas foi de bola parada que o jogo se começou a decidir. Corria o minuto 69 quando Carlos Martins apontou um livre direitinho para a cabeça de David Luiz. Na falha do benfiquista residiu a infelicidade de Gregory que, sem ver a bola, encostou-a para o fundo das redes. Desequilibrou-se o Vitória, que nunca mais conseguiu ser uma equipa compacta, permitindo a Katsouranis lançar Aimar, tendo este atirado a contar naquele que foi o seu primeiro golo de águia ao peito. De pouco valeu o remate certeiro de Desmarets (a coroar uma boa exibição) ao cair do pano, pois a vitória era já benfiquista e a final da Taça da Liga uma realidade.


Força Benfica!!!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

São Pedro, Deus da Chuva

O título, com tão poucas palavras, consegue descrever tudo o que se passou no relvado da Luz no passado Sábado.
Chuva, muita chuva, que caiu em Lisboa e que deixou o relvado quase impraticável. E São Pedro (Mantorras), que foi um verdadeiro Deus, ao sair do banco 11 meses (!!) depois para em 3minutos voltar a fazer estremecer o Estádio da Luz daquela forma que só ele sabe.

A partida começou numa toada estranha, de mau futebol de ambas as equipas, facilmente explicável pelo péssimo estado do terreno, com a bola a acelerar em certas zonas e a travar noutras, especialmente na zona central do campo, onde a acumulação de água era maior. De entre os maus, o Rio Ave ia sendo o melhor, com o Benfica a demorar muito tempo para perceber que jogar futebol no chão e de bola no pé naquele estado de terreno seria puro suícidio.
Depois de uns primeiros 40minutos chatos, muito chatos, em que o único lance de perigo até pertenceu aos vilacondenses, o Benfica la percebeu que era hora de começar a jogar futebol, conseguindo, nos 5minutos restantes até ao intervalo, criar 4 lances de perigo. Primeiro Cardozo, que provou ser o melhor ponta de lança do Benfica, a conseguir uma rotação plena de oportunidade e a atirar ao poste... Depois, Di Maria, na recarga, a rematar para as nuvens (que falta faz Maradona naquela bancada)... Quase em cima dos 45' é Nuno Gomes quem acerta mal na bola, num centro que lhe chegou com conta, peso e medida... E já nos descontos é Carlos Martins que bate um livre colocadíssimo, para o qual Paiva voou fazendo uma espectacular defesa para canto.

A verdade é que após 40' em que o Benfica nada fez para justificar um golo, acabou por fazer uma boa ponta final, que faria esperar mais da 2ª parte... E o 2º tempo trouxe mesmo mais Benfica. O Rio Ave, talvez por cansaço, talvez por sentir que podia ganhar um pontinho, recuou e deu mais iniciativa de jogo ao "glorioso", naquele que terá sido o principal erro de Carlos Brito. Com mais espaço para progredir, o Benfica aproveitou para causar mais "sururu" junto da área da equipa de Vila do Conde, mas o acerto continuava a não estar com os jogadores de Quique. Cardozo voltou a acertar no poste e voltou a adiar o golo que ele, mais do que ninguém, mereceu.
Até que, sensivelmente a meio da 2ª parte, a Luz tremeu. Quique chamou ao banco para entrar em jogo aquele por quem os 21mil adeptos da noite fria e molhada da Catedral esperavam...
Mantorras tirou o fato de treino e substituiu Nuno Gomes. Ouviu-se aquele que era, até então, o maior aplauso da noite. E Mantorras precisou apenas de 2 toques para fazer golo. Numa jogada de insistência, em que Cardozo cabeceia a meias com o defensor do Rio Ave, Mantorras tem a inteligência de proteger a bola com o corpo e disfere um remate à meia volta, que só parou quando encontrou a rede. 11 meses depois de voltar a pisar o relvado, Mantorras fez aquilo que melhor sabe... Resolver aquilo que parece de resolução impossível.

Só assim, dum golpe de mágica, se poderia desempatar o jogo no alagado relvado do Estádio da Luz. Quique percebeu e deu a hipótese ao salvador do Benfica nos momentos dificeis.
Vitória importante, que faz com que o Benfica visite o Dragão, no próximo Domingo, a apenas 1 ponto da liderança do campeonato e com a esperança de lá poder chegar 2 jornadas depois. É uma missão muito dificil, até pelo histórico negativo que o Benfica tem das visitas ao terreno azul e branco. Mas não é nada impossível! Nós acreditamos! FORÇA BENFICA!!

Mas antes disso é altura de carimbar a primeira final da época. Benfica vs Guimarães, às 21.15h no Estádio da Luz, a contar para as meias finais da Taça da Liga.